Estava eu em casa, na frente do celular, e vem uma áudio da Miriam: "Amiiiigaaa, vou me casar! E é o seguinte, nós vamos fazer uma cerimônia diferente, em que os amigos fazem a celebração. Nós escolhemos a Bianca, amiga do André, e você, amigaaaa!"
E eu, ali, sem entender nada, achei que estivesse dormindo ainda, mas, áudio vai, áudio vem, entendi mais ou menos do que se tratava. Certo, a partir daquele dia, eu teria três meses para fazer um texto bem legal para o casamento da minha amiga-irmã.
Mas, tinha um problema... eu nunca fico satisfeita com um texto, a prova são os vários blogs que eu já criei e desativei e a minha frequência por aqui. Eu fiquei do dia 23/08/2017 até o dia 13/11/2018 sem escrever nada no blog. Além disso, uma coisa é escrever em um blog, outra coisa é fazer uma celebração de casamento!
O texto já estava pronto na minha cabeça, mas na hora de escrever, a tela do celular e do computador ficavam cada vez mais brancas, e não saía nada, nada, nada. O tempo foi passando, o analista começou a me cobrar o texto, e as palavras estavam só na minha cabeça. Mas ninguém, em são juízo, faria um discurso de improviso, confiando no que estava na cabeça, ainda mais alguém que tem formação como professora. Bom, acho que eu faria, mas não seria apropriado ali no casamento.
Meus amigos começaram a me ajudar (preocupados, eu acho...), pesquisaram textos na internet, me deram dicas, estava tudo ótimo na minha cabeça, mas ai, como a tela do computador não me convidava a escrever nada. Uma semana antes do casamento, o analista me deu uma bronca: "você precisa escrever este texto!"
Certo, preciso escrever este texto... lembrei de uma invenção antiga, que eu usava muito, chamada caderno, e outra super invenção, chamada lapiseira. Assim que me coloquei em frente a estas duas invenções, e o texto fluiu como uma pluma... Escrever à mão, usando uma lapiseira bem confortável, em um caderno do Pequeno Príncipe, é bom demais!
Mas, claro, eu nunca fico satisfeita com meus textos, e ainda tinha uma semana para fazer adaptações. Durante o voo de Brasília para o Rio, esqueci que tenho medo de viajar de avião e fui melhorando o texto; era uma quinta, o casamento seria sábado, estava tranquilo. No entanto, ainda faltava combinar com a Bianca, a amiga do André, como seriam as nossas falas, qual o tempo de cada uma. Fomos trocando mensagens, eu consegui deixar a Bianca nervosa, mas correu tudo bem. Meia hora antes do casamento, eu ainda estava arrumando o texto.
Durante a celebração, eu ainda mudei alguma coisa, improvisei, mas deu tudo certo, graças ao bom Deus. Aqueles instantes foram alguns dos mais felizes da minha vida. Minha amiga de infância se casando, e eu ajudando a celebrar o casamento. Era tanta felicidade nos olhos dela e nos olhos do noivo, que eu precisei segurar a emoção para conseguir terminar o discurso.
Obrigada, Miriam e André, vocês me deram um dos melhores presentes da vida!
Este foi o texto-base para o discurso, que ainda contou com alguns improvisos na hora de falar:
Miriam, a amiga que chegou aos 11, 12 anos.
Eu não saberia dizer com precisão como a nossa amizade começou, mas lembro que eu admirava aquela menina bonita, que falava diferente de mim... falava porta, com aquele erre paulistano bem pequenininho. Lá no interior, a gente fala poRRRRRta, com um erre bem grande, e aquele seu errezinho era tão fofo...
Então nós duas, aquelas pré-adolescentes, começamos a falar sobre religiões, música, filosofia, literatura, todos os assuntos que nos atraíam, e como nós passávamos tempo conversando... Aos poucos, você se tornou a irmã que eu sempre quis ter. Nem mesmo os 16 anos em que a gente perdeu contato foram suficientes pra quebrar este laço de amor que nos une. Hoje, você é minha irmã mais nova, que age como se fosse a mais velha, me protegendo dos jacarés que ainda aparecem debaixo da minha cama.
Você é doce, admirável, linda e determinada. Enfim, você é admirável!
André, o cara inteligente, culto e modesto, dono dos posts mais inteligentes e sensatos do Facebook, já teve texto compartilhado pelo Quebrando o Tabu.
Miriam e André... reza a lenda que , há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, vocês se conheceram no dia do aniversário da Miriam, e iniciaram uma amizade bem bonita. No entanto, como diz uma música que fez bastante sucesso, "ah, se pudéssemos contar as voltas que a vida dá pra que a gente possa encontrar um grande amor"... e assim, depois de alguns anos, era o dia de... vejam só!, o aniversário da Miriam... houve uma declaração de amor, aquela magia no ar.
Mas o primeiro beijo veio apenas quatro meses depois da declaração. Mas é isso aí, janeiro, ano novo, vida nova e fase nova na vida.
André disse que foram muitas montanhas russas, lutas contra selvagens, muralhas derrubadas, florestas de espinhos desbravadas... eu me senti em um episódio do Super Mario.
E assim, como o amor sempre vence, estamos aqui para comemorar o casamento de vocês.
André, agora marido da minha irmã, torna-se meu irmão também.
Eu desejo que Deus abençoe a união de vocês, e que conceda um casamento perfeito. Peraí, casamento perfeito, isso existe? Sim... casamento perfeito é aquele em que existe amor, e o amor gera o respeito (como disse o juiz, no cartório). Que em todas as situações, sejam elas espetaculares, maravilhosas, boas, regulares ou ruins, vocês tenham em mente: foi o amor que nos trouxe aqui, é por amor que vamos viver. É este amor que faz com que vocês, hoje, deem início a um novo lar, uma nova família.
E assim, desejo a vocês que Deus conceda as bênçãos de um casamento feliz, que ele abençoe o amor de vocês.
Quero finalizar com um trecho do Pequeno Príncipe: "se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo, e eu serei para ti única no mundo."
Amo vocês.
Os Olhares Escritos são minha nova tentativa de escrever em um blog, depois de ter desativado alguns (30)... Estes escritos tentam traduzir meus olhares para as coisas do dia-a-dia. "O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia." (Guimarães Rosa)
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
terça-feira, 13 de novembro de 2018
As Amigas e o Bispo
As duas amigas, Laura e Andreza, se programaram o dia inteiro para irem tietar Daniel, o filho de Laura, que se apresentaria na comemoração dos 40 anos do Colégio Militar.
À hora combinada, e mais uns 30 minutos, elas chegaram ao local do evento. "Com licença" aqui, "opa, desculpa" ali, elas conseguiram um lugar perto do palco que, na verdade, era a quadra do colégio.
Logo que chegaram, uma cena chamou a atenção delas: ao fundo do palco, estavam o bispo, um padre e algumas pessoas em pé, segurando umas bandeiras. Andreza, a amiga mais beata, ficou super feliz com a presença do bispo, "nossa, que maravilha, que honra, teremos uma bênção", "mas, peraí, será que a comemoração tem algum sentido religioso, e as outras crianças que não professam a mesma fé, será que vai ter um culto ecumênico?"... e assim elas ficaram confabulando sobre a presença do bispo.
O mestre de cerimônia apresentou as autoridades, cumprimentou a todos, e esqueceu de apresentar o bispo. "Mas ele é uma autoridade eclesiástica", disse Laura. Pois é, o que o pobre do bispo, autoridade eclesiástica, estaria fazendo em pé, ali no fundo do palco, com aquele calor, sendo esquecido pelo apresentador? E sendo uma bênção, não deveria ser a primeira coisa a acontecer?
Passa-se o tempo, e as apresentações, cada uma mais linda e maravilhosa que a outra, transcorrem normalmente. "Olha o meu filho, Andreza, achei ele ali na banda", "ai, que orgulho, mas o que esse bispo está fazendo ali com aquele povo em pé? Isso já começou a me incomodar".
A certa altura, o religioso se senta e confere o celular... Andreza, a amiga mais beata (e mais fofoqueira), mostra pra Laura e emenda um "veja só, o bispo também fica olhando o celular, depois dizem que a gente é que é dependente desse negócio", como se ele também não tivesse direito de usar celular.
Laura então diz que o bispo deve estar cansado, pois está muito calor e já faz quase duas horas que ele está em pé. Andreza, para mostrar o quanto é beata, e que sabe quem é o bispo, diz: "ah, o Dom Felipe não é velho, não.
As apresentações musicais se encerram, começam a preparar a quadra para a apresentação de teatro... e o bispo continua ali em pé.
A peça era bem interessante, as personagens principais eram um aluno meio entediado e seu professor, que tinha um livro mágico, o qual permitia que o aluno se visse em meio às cenas históricas lá descritas. Estas cenas eram dramatizadas no meio da quadra por alunos do colégio, vestidos como as figuras históricas.
O aluno meio entediado faz uma pergunta, e o professor fala sobre Dom Pedro I, aí aparece no meio da quadra um menino vestido como ele, conta-se a história etc etc etc, então começa a narrativa sobre a coroação de Dom Pedro II. O bispo, agora revelado para as amigas que era um aluno do colégio, que havia ficado em pé durante mais de duas horas, com o padre e toda aquela comitiva, vai até o ator que representa Dom Pedro II e encena sua coroação.
As duas amigas caíram numa gargalhada tão espontânea, que até agora não sabem como a peça acabou.
À hora combinada, e mais uns 30 minutos, elas chegaram ao local do evento. "Com licença" aqui, "opa, desculpa" ali, elas conseguiram um lugar perto do palco que, na verdade, era a quadra do colégio.
Logo que chegaram, uma cena chamou a atenção delas: ao fundo do palco, estavam o bispo, um padre e algumas pessoas em pé, segurando umas bandeiras. Andreza, a amiga mais beata, ficou super feliz com a presença do bispo, "nossa, que maravilha, que honra, teremos uma bênção", "mas, peraí, será que a comemoração tem algum sentido religioso, e as outras crianças que não professam a mesma fé, será que vai ter um culto ecumênico?"... e assim elas ficaram confabulando sobre a presença do bispo.
O mestre de cerimônia apresentou as autoridades, cumprimentou a todos, e esqueceu de apresentar o bispo. "Mas ele é uma autoridade eclesiástica", disse Laura. Pois é, o que o pobre do bispo, autoridade eclesiástica, estaria fazendo em pé, ali no fundo do palco, com aquele calor, sendo esquecido pelo apresentador? E sendo uma bênção, não deveria ser a primeira coisa a acontecer?
Passa-se o tempo, e as apresentações, cada uma mais linda e maravilhosa que a outra, transcorrem normalmente. "Olha o meu filho, Andreza, achei ele ali na banda", "ai, que orgulho, mas o que esse bispo está fazendo ali com aquele povo em pé? Isso já começou a me incomodar".
A certa altura, o religioso se senta e confere o celular... Andreza, a amiga mais beata (e mais fofoqueira), mostra pra Laura e emenda um "veja só, o bispo também fica olhando o celular, depois dizem que a gente é que é dependente desse negócio", como se ele também não tivesse direito de usar celular.
Laura então diz que o bispo deve estar cansado, pois está muito calor e já faz quase duas horas que ele está em pé. Andreza, para mostrar o quanto é beata, e que sabe quem é o bispo, diz: "ah, o Dom Felipe não é velho, não.
As apresentações musicais se encerram, começam a preparar a quadra para a apresentação de teatro... e o bispo continua ali em pé.
A peça era bem interessante, as personagens principais eram um aluno meio entediado e seu professor, que tinha um livro mágico, o qual permitia que o aluno se visse em meio às cenas históricas lá descritas. Estas cenas eram dramatizadas no meio da quadra por alunos do colégio, vestidos como as figuras históricas.
O aluno meio entediado faz uma pergunta, e o professor fala sobre Dom Pedro I, aí aparece no meio da quadra um menino vestido como ele, conta-se a história etc etc etc, então começa a narrativa sobre a coroação de Dom Pedro II. O bispo, agora revelado para as amigas que era um aluno do colégio, que havia ficado em pé durante mais de duas horas, com o padre e toda aquela comitiva, vai até o ator que representa Dom Pedro II e encena sua coroação.
As duas amigas caíram numa gargalhada tão espontânea, que até agora não sabem como a peça acabou.
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