quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Mestres do Renascimento

Este texto foi publicado em 07 de janeiro de 2014, após minha visita à Exposição "Mestres do Renascimento". 

Mestres do Renascimento


Sábado, depois de três horas na fila, assisti à exposição "Mestres do Renascimento", no CCBB. Foi maravilhoso ver aquelas obras, contemplá-las e pensar sobre elas. O encantamento que a exposição me trouxe fez valer cada segundo passado na fila. Minha vontade era de ficar ao lado daquelas obras pelo menos por mais três horas, pois cada uma delas tinha uma mensagem a ser transmitida, um encanto a ser descoberto.


Enquanto observava as obras de arte, ouvi o seguinte comentário, repleto de admiração, de um senhor à sua esposa: "olha, esta pintura tem 500 anos"; então, em um segundo, passaram várias cenas, várias ideias pela minha cabeça - adoro esta capacidade que a gente tem de pensar em mil coisas em uma "fração de segundo", como diz minha mãe - e é sobre estas ideias que eu gostaria de escrever.


Entre os pensamentos, estava um que sempre aparece: a efemeridade da vida em contraponto à atemporalidade de nossas atitudes, que deixam nossa marca para além da nossa vida física. É fantástico pensar que pessoas que viveram 50, 100, 500, 1000, 3000 anos antes de nós, como os patriarcas bíblicos, os filósofos gregos, os Navegadores, os Renascentistas, entre tantos outros, deixaram sua marca registrada na História, e serão lembradas por mais 50, 100, 500, 1000, 3000 anos.

Porém, ao lado de figuras que se tornaram conhecidas por todos, e que "entraram para a História", estão aqueles que não são conhecidos por muitas outras pessoas, mas que também deixam sua marca no mundo, e fazem diferença na vida daqueles com quem convivem - minha filha mais nova teve uma existência terrena muito curta, de apenas onze meses, mas todas as pessoas que a conheceram se sentiram mais felizes somente porque viram seu sorriso sincero de criança - por isso, eu acredito que faz parte da nossa missão na Terra vivermos de forma que possamos acrescentar coisas boas às pessoas que nos cercam; assim, acredito que a gentileza, a doçura, a empatia estão entre as atitudes que devemos cultivar, para que outras pessoas se sintam felizes somente com nossa presença.
E esta foi apenas uma ideia que passou pela minha cabeça quando ouvi o comentário daquele senhor...

A outra ideia me levou de volta à Faculdade de Letras, concluída há treze anos... foi um episódio em que minha "megalomania" se aflorou. Estávamos estudando a Semana de Arte Moderna, e eu fiquei maravilhada com tudo aquilo que estava lendo sobre os Modernistas; assim, enquanto estávamos na biblioteca (eu e mais duas colegas), preparando nosso material para o seminário que apresentaríamos na semana seguinte, me absorvi tanto na leitura, que acabei verbalizando um pensamento que me ocorria enquanto os Modernistas me seduziam: "nossa, eu queria fazer algo assim, que venha a ser lembrado por todo mundo, mesmo que eu já não esteja mais aqui". Este era um pensamento sincero, mas provocou risos, ou melhor, gargalhadas das minhas amigas (elas até esqueceram que a gente estava na biblioteca). Devido à reação das meninas, eu procurei não pensar mais nisso, porque me senti uma idiota, mas estas palavras de vez em quando voltam a aparecer nos meus pensamentos. Não sei se é medo de ser esquecida, ou se é narcisismo, ou se é simplesmente vontade de fazer alguma coisa interessante... E assim, acabei me lembrando do Chico Anysio, que disse em uma de suas entrevistas que ele não tinha medo de morrer, mas tinha pena de morrer.


E assim, outro pensamento me ocorreu, principalmente porque as obras apresentadas, em sua maioria, retratavam cenas bíblicas: eu sempre acreditei que existe outra vida depois desta vida. Acredito que Deus preparou uma morada eterna para os seres humanos, e que esta vida presente é somente uma passagem, um estágio, um aprendizado.


A obra que mais me chamou a atenção foi "Adoração dos Pastores", de Lorenzo Lotto. A mãozinha do Menino Jesus tocando a ovelhinha me fez chorar de emoção. Eu não sei dizer se a arte tem "funções", mas penso que, se tiver, uma delas é esta: despertar emoções em quem a contempla.


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