Hoje, 24 de fevereiro, completam-se dez anos sem meu papai.
Este texto foi escrito há algum tempo, mas eu gostaria de homenagear meu pai de novo com este registro da nossa história.
Ele nasceu em Jaboticabal, dia 25 de abril de 1936, neto de imigrantes portugueses e italianos; sempre contava muitas histórias sobre os seus avós, seus pais e seus irmãos, e os amava com todo o seu coração.
Quando ele tinha 42 anos, nasceu o seu maior tesouro, a sua filha, e eles viveram o amor mais lindo que poderia existir.
Tudo o que ela aprendeu de mais bonito foi com ele. Ele mostrou para ela a beleza do amanhecer, dizendo: "olha, Benzinho, o céu vai clareando, ficando rosado, depois amarelinho, até ficar completamente iluminado pelo sol"; ela adorava acordar cedo só para contemplar o nascer do sol com ele. "Benzinho" era a forma carinhosa que ele tinha para falar com ela.
Quando ela tinha três anos de idade, ele ensinou as primeiras letras para ela, primeiro o seu nome, depois as outras palavras, os textos; seu maior orgulho era dizer que ela lia jornal aos três anos, porque ele havia ensinado.
Ele também ensinou a ela que Deus é o Pai, e Ele é tudo o que temos de importante na vida. Ele dizia: "não importa o que acontecer, não esquece de Deus". Ele adorava esta foto, que eles tiraram no dia em que ela fez três aninhos:
Entre as muitas coisas que eles gostavam de fazer para se divertir, estavam as palavras cruzadas, as sessões de poemas e de violão. Eles passavam horas recitando poemas de Camões (para tão longo amor, tão curta vida); ele sabia o Primeiro Canto de "Os Lusíadas" de cor, e ela adorava ouvir. O som do violão era o mais belo que ela conhecia, e todos os dias, ela pedia para ele tocar e cantar "Chega de Saudade", "Rosa", "Chão de Estrelas", e a preferida, a mais linda de todas, "Carinhoso". O brilho no olhar dos dois era a coisa mais linda de se ver.
Ela deu a ele duas netinhas, que eram suas princesinhas. Infelizmente, a mais nova faleceu, o que deixou o avô muito triste, mas ele dizia o seguinte: "é muito triste perder a minha netinha, mas muito mais triste é ver você chorando, benzinho... sua tristeza corta o meu coração".
No dia 24 de fevereiro de 2006, às 10h30, ela estava trabalhando, e ele ligou para ela, dizendo que estava se sentindo mal. Ela perguntou a ele se ele queria ir ao médico, mas ele disse que não precisava, e a continuação da conversa dos dois foi mais ou menos a seguinte:
- Benzinho, eu já disse que te amo?
- Já, sim, papai... mas fala de novo?
- Eu te amo, benzinho...
- Eu também te amo, papai.
Ele dizia para ela que ouvir "Papai" de seus lábios era mais lindo do que qualquer música, e esta era a palavra mais bonita que ele conhecia.
Algumas horas depois, seu primo ligou para ela, dizendo que ela teria que ir embora para casa, por causa do seu pai.
Na verdade, seu pai havia começado a almoçar, se sentiu mal, interrompeu o almoço e foi se deitar. Depois que ele dormiu, seu coração parou de bater, e ele acordou no Céu.
Hoje, após dez anos (o tempo, implacável...), sua filha ainda se sente como no momento da notícia: "como eu vou viver o resto da minha vida sem ele?"... mas as lembranças dos 27 anos em que viveram juntos é o que conforta um pouco o seu coração.
Às vezes, eles se encontram nos sonhos dela. Ela acredita que Deus permite que seu Papai venha passear um pouquinho nos seus sonhos, para eles acalmarem um pouco a saudade. Nos sonhos dela, ele sempre está muito bonito, dizendo que mora agora em um lugar lindo, e que é muito feliz.
Que assim seja!

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