O primeiro dia do ano sempre foi um dos meus dias preferidos, assim como o meu aniversário.
Quando criança, gostava de olhar nos calendários, o dia 01/01 era o dia da confraternização universal. Ali, no alto dos meus 6, 7 anos, não sabia o que era confraternização, muito menos universal. Talvez tenha pensado, alguns anos depois, que era universal porque as pessoas estranhas se cumprimentavam na rua, desejando feliz ano novo. Na nossa praça, após a queima de fogos, todas as pessoas se cumprimentavam... Também quebravam muitas garrafas, e isso não era legal.
Mas, falando aqui do meu dia preferido... Sempre foi uma data especial, de fazer festa na igreja. Nós fazíamos vigília, celebrávamos o culto e, à meia-noite, estávamos em oração, agradecendo a Deus pelo ano que havia passado, pedindo a Sua benção para o ano que começava naquele instante. Logo após as orações, fazíamos a ceia.
Quando chegávamos da igreja, ainda tinha festa na casa dos meus tios, e aquela festa se prolongava até a hora do almoço.
Eu fui crescendo, as comemorações foram mudando, eu me mudei de cidade, as celebrações na igreja mudaram de horário, eu mudei de igreja, mantendo a fé cristã, mas duas coisas não mudam:
A primeira é que sempre entro no novo ano agradecendo a Deus pelo que passou, e pedindo a sua benção para o que está começando;
A segunda é que não perdi o fascínio da criança por esta data tão especial: dia de abraçar as pessoas e desejar, com todo o coração, que este ano que se inicia seja feliz. Ou melhor, dia de desejar que as pessoas sejam felizes neste ano.
Já fiz várias resoluções de ano novo, gosto de listar as coisas a serem feitas, mas falta disciplina para cumprir.
Agora, no decorrer destes 40 anos de idade, sendo 20 deles com crises de pânico e depressão, tenho aprendido a fazer pequenas resoluções de dia novo, só por hoje. Se eu conseguir cumprir, a sensação de vitória é indescritível. Se não, amanhã teremos outro dia para tentar.
Isso não me dá carta branca para me acomodar só por hoje, pelo contrário. Estas pequenas vitórias diárias renovam a energia para tentar amanhã.
Olhares Escritos
Os Olhares Escritos são minha nova tentativa de escrever em um blog, depois de ter desativado alguns (30)... Estes escritos tentam traduzir meus olhares para as coisas do dia-a-dia. "O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia." (Guimarães Rosa)
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
O casamento da Miriam e do André
Estava eu em casa, na frente do celular, e vem uma áudio da Miriam: "Amiiiigaaa, vou me casar! E é o seguinte, nós vamos fazer uma cerimônia diferente, em que os amigos fazem a celebração. Nós escolhemos a Bianca, amiga do André, e você, amigaaaa!"
E eu, ali, sem entender nada, achei que estivesse dormindo ainda, mas, áudio vai, áudio vem, entendi mais ou menos do que se tratava. Certo, a partir daquele dia, eu teria três meses para fazer um texto bem legal para o casamento da minha amiga-irmã.
Mas, tinha um problema... eu nunca fico satisfeita com um texto, a prova são os vários blogs que eu já criei e desativei e a minha frequência por aqui. Eu fiquei do dia 23/08/2017 até o dia 13/11/2018 sem escrever nada no blog. Além disso, uma coisa é escrever em um blog, outra coisa é fazer uma celebração de casamento!
O texto já estava pronto na minha cabeça, mas na hora de escrever, a tela do celular e do computador ficavam cada vez mais brancas, e não saía nada, nada, nada. O tempo foi passando, o analista começou a me cobrar o texto, e as palavras estavam só na minha cabeça. Mas ninguém, em são juízo, faria um discurso de improviso, confiando no que estava na cabeça, ainda mais alguém que tem formação como professora. Bom, acho que eu faria, mas não seria apropriado ali no casamento.
Meus amigos começaram a me ajudar (preocupados, eu acho...), pesquisaram textos na internet, me deram dicas, estava tudo ótimo na minha cabeça, mas ai, como a tela do computador não me convidava a escrever nada. Uma semana antes do casamento, o analista me deu uma bronca: "você precisa escrever este texto!"
Certo, preciso escrever este texto... lembrei de uma invenção antiga, que eu usava muito, chamada caderno, e outra super invenção, chamada lapiseira. Assim que me coloquei em frente a estas duas invenções, e o texto fluiu como uma pluma... Escrever à mão, usando uma lapiseira bem confortável, em um caderno do Pequeno Príncipe, é bom demais!
Mas, claro, eu nunca fico satisfeita com meus textos, e ainda tinha uma semana para fazer adaptações. Durante o voo de Brasília para o Rio, esqueci que tenho medo de viajar de avião e fui melhorando o texto; era uma quinta, o casamento seria sábado, estava tranquilo. No entanto, ainda faltava combinar com a Bianca, a amiga do André, como seriam as nossas falas, qual o tempo de cada uma. Fomos trocando mensagens, eu consegui deixar a Bianca nervosa, mas correu tudo bem. Meia hora antes do casamento, eu ainda estava arrumando o texto.
Durante a celebração, eu ainda mudei alguma coisa, improvisei, mas deu tudo certo, graças ao bom Deus. Aqueles instantes foram alguns dos mais felizes da minha vida. Minha amiga de infância se casando, e eu ajudando a celebrar o casamento. Era tanta felicidade nos olhos dela e nos olhos do noivo, que eu precisei segurar a emoção para conseguir terminar o discurso.
Obrigada, Miriam e André, vocês me deram um dos melhores presentes da vida!
Este foi o texto-base para o discurso, que ainda contou com alguns improvisos na hora de falar:
Miriam, a amiga que chegou aos 11, 12 anos.
Eu não saberia dizer com precisão como a nossa amizade começou, mas lembro que eu admirava aquela menina bonita, que falava diferente de mim... falava porta, com aquele erre paulistano bem pequenininho. Lá no interior, a gente fala poRRRRRta, com um erre bem grande, e aquele seu errezinho era tão fofo...
Então nós duas, aquelas pré-adolescentes, começamos a falar sobre religiões, música, filosofia, literatura, todos os assuntos que nos atraíam, e como nós passávamos tempo conversando... Aos poucos, você se tornou a irmã que eu sempre quis ter. Nem mesmo os 16 anos em que a gente perdeu contato foram suficientes pra quebrar este laço de amor que nos une. Hoje, você é minha irmã mais nova, que age como se fosse a mais velha, me protegendo dos jacarés que ainda aparecem debaixo da minha cama.
Você é doce, admirável, linda e determinada. Enfim, você é admirável!
André, o cara inteligente, culto e modesto, dono dos posts mais inteligentes e sensatos do Facebook, já teve texto compartilhado pelo Quebrando o Tabu.
Miriam e André... reza a lenda que , há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, vocês se conheceram no dia do aniversário da Miriam, e iniciaram uma amizade bem bonita. No entanto, como diz uma música que fez bastante sucesso, "ah, se pudéssemos contar as voltas que a vida dá pra que a gente possa encontrar um grande amor"... e assim, depois de alguns anos, era o dia de... vejam só!, o aniversário da Miriam... houve uma declaração de amor, aquela magia no ar.
Mas o primeiro beijo veio apenas quatro meses depois da declaração. Mas é isso aí, janeiro, ano novo, vida nova e fase nova na vida.
André disse que foram muitas montanhas russas, lutas contra selvagens, muralhas derrubadas, florestas de espinhos desbravadas... eu me senti em um episódio do Super Mario.
E assim, como o amor sempre vence, estamos aqui para comemorar o casamento de vocês.
André, agora marido da minha irmã, torna-se meu irmão também.
Eu desejo que Deus abençoe a união de vocês, e que conceda um casamento perfeito. Peraí, casamento perfeito, isso existe? Sim... casamento perfeito é aquele em que existe amor, e o amor gera o respeito (como disse o juiz, no cartório). Que em todas as situações, sejam elas espetaculares, maravilhosas, boas, regulares ou ruins, vocês tenham em mente: foi o amor que nos trouxe aqui, é por amor que vamos viver. É este amor que faz com que vocês, hoje, deem início a um novo lar, uma nova família.
E assim, desejo a vocês que Deus conceda as bênçãos de um casamento feliz, que ele abençoe o amor de vocês.
Quero finalizar com um trecho do Pequeno Príncipe: "se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo, e eu serei para ti única no mundo."
Amo vocês.
E eu, ali, sem entender nada, achei que estivesse dormindo ainda, mas, áudio vai, áudio vem, entendi mais ou menos do que se tratava. Certo, a partir daquele dia, eu teria três meses para fazer um texto bem legal para o casamento da minha amiga-irmã.
Mas, tinha um problema... eu nunca fico satisfeita com um texto, a prova são os vários blogs que eu já criei e desativei e a minha frequência por aqui. Eu fiquei do dia 23/08/2017 até o dia 13/11/2018 sem escrever nada no blog. Além disso, uma coisa é escrever em um blog, outra coisa é fazer uma celebração de casamento!
O texto já estava pronto na minha cabeça, mas na hora de escrever, a tela do celular e do computador ficavam cada vez mais brancas, e não saía nada, nada, nada. O tempo foi passando, o analista começou a me cobrar o texto, e as palavras estavam só na minha cabeça. Mas ninguém, em são juízo, faria um discurso de improviso, confiando no que estava na cabeça, ainda mais alguém que tem formação como professora. Bom, acho que eu faria, mas não seria apropriado ali no casamento.
Meus amigos começaram a me ajudar (preocupados, eu acho...), pesquisaram textos na internet, me deram dicas, estava tudo ótimo na minha cabeça, mas ai, como a tela do computador não me convidava a escrever nada. Uma semana antes do casamento, o analista me deu uma bronca: "você precisa escrever este texto!"
Certo, preciso escrever este texto... lembrei de uma invenção antiga, que eu usava muito, chamada caderno, e outra super invenção, chamada lapiseira. Assim que me coloquei em frente a estas duas invenções, e o texto fluiu como uma pluma... Escrever à mão, usando uma lapiseira bem confortável, em um caderno do Pequeno Príncipe, é bom demais!
Mas, claro, eu nunca fico satisfeita com meus textos, e ainda tinha uma semana para fazer adaptações. Durante o voo de Brasília para o Rio, esqueci que tenho medo de viajar de avião e fui melhorando o texto; era uma quinta, o casamento seria sábado, estava tranquilo. No entanto, ainda faltava combinar com a Bianca, a amiga do André, como seriam as nossas falas, qual o tempo de cada uma. Fomos trocando mensagens, eu consegui deixar a Bianca nervosa, mas correu tudo bem. Meia hora antes do casamento, eu ainda estava arrumando o texto.
Durante a celebração, eu ainda mudei alguma coisa, improvisei, mas deu tudo certo, graças ao bom Deus. Aqueles instantes foram alguns dos mais felizes da minha vida. Minha amiga de infância se casando, e eu ajudando a celebrar o casamento. Era tanta felicidade nos olhos dela e nos olhos do noivo, que eu precisei segurar a emoção para conseguir terminar o discurso.
Obrigada, Miriam e André, vocês me deram um dos melhores presentes da vida!
Este foi o texto-base para o discurso, que ainda contou com alguns improvisos na hora de falar:
Miriam, a amiga que chegou aos 11, 12 anos.
Eu não saberia dizer com precisão como a nossa amizade começou, mas lembro que eu admirava aquela menina bonita, que falava diferente de mim... falava porta, com aquele erre paulistano bem pequenininho. Lá no interior, a gente fala poRRRRRta, com um erre bem grande, e aquele seu errezinho era tão fofo...
Então nós duas, aquelas pré-adolescentes, começamos a falar sobre religiões, música, filosofia, literatura, todos os assuntos que nos atraíam, e como nós passávamos tempo conversando... Aos poucos, você se tornou a irmã que eu sempre quis ter. Nem mesmo os 16 anos em que a gente perdeu contato foram suficientes pra quebrar este laço de amor que nos une. Hoje, você é minha irmã mais nova, que age como se fosse a mais velha, me protegendo dos jacarés que ainda aparecem debaixo da minha cama.
Você é doce, admirável, linda e determinada. Enfim, você é admirável!
André, o cara inteligente, culto e modesto, dono dos posts mais inteligentes e sensatos do Facebook, já teve texto compartilhado pelo Quebrando o Tabu.
Miriam e André... reza a lenda que , há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante, vocês se conheceram no dia do aniversário da Miriam, e iniciaram uma amizade bem bonita. No entanto, como diz uma música que fez bastante sucesso, "ah, se pudéssemos contar as voltas que a vida dá pra que a gente possa encontrar um grande amor"... e assim, depois de alguns anos, era o dia de... vejam só!, o aniversário da Miriam... houve uma declaração de amor, aquela magia no ar.
Mas o primeiro beijo veio apenas quatro meses depois da declaração. Mas é isso aí, janeiro, ano novo, vida nova e fase nova na vida.
André disse que foram muitas montanhas russas, lutas contra selvagens, muralhas derrubadas, florestas de espinhos desbravadas... eu me senti em um episódio do Super Mario.
E assim, como o amor sempre vence, estamos aqui para comemorar o casamento de vocês.
André, agora marido da minha irmã, torna-se meu irmão também.
Eu desejo que Deus abençoe a união de vocês, e que conceda um casamento perfeito. Peraí, casamento perfeito, isso existe? Sim... casamento perfeito é aquele em que existe amor, e o amor gera o respeito (como disse o juiz, no cartório). Que em todas as situações, sejam elas espetaculares, maravilhosas, boas, regulares ou ruins, vocês tenham em mente: foi o amor que nos trouxe aqui, é por amor que vamos viver. É este amor que faz com que vocês, hoje, deem início a um novo lar, uma nova família.
E assim, desejo a vocês que Deus conceda as bênçãos de um casamento feliz, que ele abençoe o amor de vocês.
Quero finalizar com um trecho do Pequeno Príncipe: "se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo, e eu serei para ti única no mundo."
Amo vocês.
terça-feira, 13 de novembro de 2018
As Amigas e o Bispo
As duas amigas, Laura e Andreza, se programaram o dia inteiro para irem tietar Daniel, o filho de Laura, que se apresentaria na comemoração dos 40 anos do Colégio Militar.
À hora combinada, e mais uns 30 minutos, elas chegaram ao local do evento. "Com licença" aqui, "opa, desculpa" ali, elas conseguiram um lugar perto do palco que, na verdade, era a quadra do colégio.
Logo que chegaram, uma cena chamou a atenção delas: ao fundo do palco, estavam o bispo, um padre e algumas pessoas em pé, segurando umas bandeiras. Andreza, a amiga mais beata, ficou super feliz com a presença do bispo, "nossa, que maravilha, que honra, teremos uma bênção", "mas, peraí, será que a comemoração tem algum sentido religioso, e as outras crianças que não professam a mesma fé, será que vai ter um culto ecumênico?"... e assim elas ficaram confabulando sobre a presença do bispo.
O mestre de cerimônia apresentou as autoridades, cumprimentou a todos, e esqueceu de apresentar o bispo. "Mas ele é uma autoridade eclesiástica", disse Laura. Pois é, o que o pobre do bispo, autoridade eclesiástica, estaria fazendo em pé, ali no fundo do palco, com aquele calor, sendo esquecido pelo apresentador? E sendo uma bênção, não deveria ser a primeira coisa a acontecer?
Passa-se o tempo, e as apresentações, cada uma mais linda e maravilhosa que a outra, transcorrem normalmente. "Olha o meu filho, Andreza, achei ele ali na banda", "ai, que orgulho, mas o que esse bispo está fazendo ali com aquele povo em pé? Isso já começou a me incomodar".
A certa altura, o religioso se senta e confere o celular... Andreza, a amiga mais beata (e mais fofoqueira), mostra pra Laura e emenda um "veja só, o bispo também fica olhando o celular, depois dizem que a gente é que é dependente desse negócio", como se ele também não tivesse direito de usar celular.
Laura então diz que o bispo deve estar cansado, pois está muito calor e já faz quase duas horas que ele está em pé. Andreza, para mostrar o quanto é beata, e que sabe quem é o bispo, diz: "ah, o Dom Felipe não é velho, não.
As apresentações musicais se encerram, começam a preparar a quadra para a apresentação de teatro... e o bispo continua ali em pé.
A peça era bem interessante, as personagens principais eram um aluno meio entediado e seu professor, que tinha um livro mágico, o qual permitia que o aluno se visse em meio às cenas históricas lá descritas. Estas cenas eram dramatizadas no meio da quadra por alunos do colégio, vestidos como as figuras históricas.
O aluno meio entediado faz uma pergunta, e o professor fala sobre Dom Pedro I, aí aparece no meio da quadra um menino vestido como ele, conta-se a história etc etc etc, então começa a narrativa sobre a coroação de Dom Pedro II. O bispo, agora revelado para as amigas que era um aluno do colégio, que havia ficado em pé durante mais de duas horas, com o padre e toda aquela comitiva, vai até o ator que representa Dom Pedro II e encena sua coroação.
As duas amigas caíram numa gargalhada tão espontânea, que até agora não sabem como a peça acabou.
À hora combinada, e mais uns 30 minutos, elas chegaram ao local do evento. "Com licença" aqui, "opa, desculpa" ali, elas conseguiram um lugar perto do palco que, na verdade, era a quadra do colégio.
Logo que chegaram, uma cena chamou a atenção delas: ao fundo do palco, estavam o bispo, um padre e algumas pessoas em pé, segurando umas bandeiras. Andreza, a amiga mais beata, ficou super feliz com a presença do bispo, "nossa, que maravilha, que honra, teremos uma bênção", "mas, peraí, será que a comemoração tem algum sentido religioso, e as outras crianças que não professam a mesma fé, será que vai ter um culto ecumênico?"... e assim elas ficaram confabulando sobre a presença do bispo.
O mestre de cerimônia apresentou as autoridades, cumprimentou a todos, e esqueceu de apresentar o bispo. "Mas ele é uma autoridade eclesiástica", disse Laura. Pois é, o que o pobre do bispo, autoridade eclesiástica, estaria fazendo em pé, ali no fundo do palco, com aquele calor, sendo esquecido pelo apresentador? E sendo uma bênção, não deveria ser a primeira coisa a acontecer?
Passa-se o tempo, e as apresentações, cada uma mais linda e maravilhosa que a outra, transcorrem normalmente. "Olha o meu filho, Andreza, achei ele ali na banda", "ai, que orgulho, mas o que esse bispo está fazendo ali com aquele povo em pé? Isso já começou a me incomodar".
A certa altura, o religioso se senta e confere o celular... Andreza, a amiga mais beata (e mais fofoqueira), mostra pra Laura e emenda um "veja só, o bispo também fica olhando o celular, depois dizem que a gente é que é dependente desse negócio", como se ele também não tivesse direito de usar celular.
Laura então diz que o bispo deve estar cansado, pois está muito calor e já faz quase duas horas que ele está em pé. Andreza, para mostrar o quanto é beata, e que sabe quem é o bispo, diz: "ah, o Dom Felipe não é velho, não.
As apresentações musicais se encerram, começam a preparar a quadra para a apresentação de teatro... e o bispo continua ali em pé.
A peça era bem interessante, as personagens principais eram um aluno meio entediado e seu professor, que tinha um livro mágico, o qual permitia que o aluno se visse em meio às cenas históricas lá descritas. Estas cenas eram dramatizadas no meio da quadra por alunos do colégio, vestidos como as figuras históricas.
O aluno meio entediado faz uma pergunta, e o professor fala sobre Dom Pedro I, aí aparece no meio da quadra um menino vestido como ele, conta-se a história etc etc etc, então começa a narrativa sobre a coroação de Dom Pedro II. O bispo, agora revelado para as amigas que era um aluno do colégio, que havia ficado em pé durante mais de duas horas, com o padre e toda aquela comitiva, vai até o ator que representa Dom Pedro II e encena sua coroação.
As duas amigas caíram numa gargalhada tão espontânea, que até agora não sabem como a peça acabou.
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
A Metade da Idade da Minha Mãe
Neste ano, eu completo a metade da idade da minha mãe, a idade que ela tinha quando eu nasci, 39 anos.
O dia do meu nascimento foi um dia de sofrimento e alegria para minha mãe. Na verdade, o meu nascimento deveria ter ocorrido até o dia 10 de agosto, mas já era dia 22, e ela não entrava em trabalho de parto.
À noite, ela não conseguiu dormir, e sentia os meus movimentos muito desordenados em sua barriga, como se eu quisesse "subir" até seu coração. Mas ela não sentia dores, então achava que estava tudo bem.
Ao amanhecer, na quarta-feira, ela estava se sentindo bem e foi cuidar dos afazeres da casa. Eram 6h da manhã, e ela estava lavando roupa quando meu tio Joel e minha tia Dinah, dois irmãos do meu pai, chegaram à nossa casa. Eles foram anjos que o Senhor Deus enviou para nossa vida naquele dia.
Tia Dinah, quando viu minha mãe pendurando roupas no varal, perguntou por que ela ainda estava ali, com aquele barrigão, lavando roupa (à mão), e por que não tinha ido ao hospital, por que o bebê não tinha nascido ainda. Minha mãe disse que não estava sentindo as dores do parto, e que estava se sentindo bem.
Meus tios não se convenceram de que estava tudo bem, e levaram minha mãe ao pronto-socorro (naquela época, não havia hospital em Barrinha, como ainda não há). Quando o médico a examinou, recomendou que ela fosse levada imediatamente ao hospital, em Jaboticabal, pois já havia "passado da hora" do bebê nascer.
Chegando ao hospital, os médicos detectaram que a pressão arterial da minha mãe estava muito alta. Até então, ela não sabia que era hipertensa, e ainda não sabia sobre a doença de Chagas.
Seria necessário fazer uma cesárea, mas primeiro precisava abaixar a pressão.
Quando eles examinaram o estado do feto (eu), não conseguiram ouvir seus batimentos cardíacos, não percebiam seus movimentos, não notavam sinais de vida, e deram o bebê como morto. As palavras do médico para minha mãe foram "o seu neném está morto, agora eu vou tentar salvar a senhora."
Sim, ele disse "tentar".
O estado dela era muito grave, e o risco era muito alto. Quando a minha mãe me conta esta história, ela fala da dor que sentiu quando o médico disse que seu bebê estava morto. Fazia pouco tempo que meu irmão havia morrido, e a vida da minha mãe também estava em risco. Ela costuma brincar que, se tivesse morrido, iria chegar no Céu e perguntar para Jesus: "cadê o neném?", e Jesus iria dizer que o neném ficou.
Então ela foi levada à sala de cirurgia para passar por um procedimento de risco. A anestesia não fez efeito, e ela precisou ser sedada.
Como ela estava dormindo, não viu meu nascimento, não viu que o bebê dado como morto estava vivo, que era uma menina, e que a primeira pessoa da família que me pegou no colo foi minha prima Eiko, filha da tia Dinah.
Após longas horas, minha mãe acordou da sedação, e minha santa tia disse que sua criança era saudável, forte, cabeluda (e linda... depois de adulta ficou super modesta, mas não tinha como ninguém prever isso).
Acho que eu já tinha uns três meses nesta foto:
Quando Tia Dinah ligou para dar a notícia ao meu pai, ele e meu irmão foram "bebemorar". Os dois ficaram bêbados... Imaginem, nenhum dos dois gostava de bebida, e foram beber para celebrar meu nascimento. Devem ter ficado bêbados com um copo de cerveja...
Hoje, especialmente nesta data em que eu completo a metade da idade da minha mãe, eu agradeço a Deus por ter poupado a nossa vida, por ter nos salvo da morte naquele dia. É como se eu tivesse nascido duas vezes, é como se minha mãe tivesse nascido de novo.
Agradeço a Deus por ter enviado seus anjos, meu tio Joel e minha tia Dinah, que levaram minha mãe até o hospital, que cuidaram dela. Agradeço a Deus por sua presença em todos os momentos da nossa vida, nas nossas alegrias e tristezas. Agradeço a Deus por permitir que eu nascesse, por poupar a vida da minha mãe, me dar o meu pai, me dar uma família tão grande, tão amorosa e tão maravilhosa, e ainda me presentear com amigos maravilhosos.
Obrigada, Senhor, por todos os dias!
"Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.
Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido* nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.
E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles!" (Salmo 139: 13-17)
*Eu amo pensar na ternura com que Deus entretece o bebê no ventre da mãe, formando suas mãozinhas, seus pezinhos, seu rostinho...
O dia do meu nascimento foi um dia de sofrimento e alegria para minha mãe. Na verdade, o meu nascimento deveria ter ocorrido até o dia 10 de agosto, mas já era dia 22, e ela não entrava em trabalho de parto.
À noite, ela não conseguiu dormir, e sentia os meus movimentos muito desordenados em sua barriga, como se eu quisesse "subir" até seu coração. Mas ela não sentia dores, então achava que estava tudo bem.
Ao amanhecer, na quarta-feira, ela estava se sentindo bem e foi cuidar dos afazeres da casa. Eram 6h da manhã, e ela estava lavando roupa quando meu tio Joel e minha tia Dinah, dois irmãos do meu pai, chegaram à nossa casa. Eles foram anjos que o Senhor Deus enviou para nossa vida naquele dia.
Tia Dinah, quando viu minha mãe pendurando roupas no varal, perguntou por que ela ainda estava ali, com aquele barrigão, lavando roupa (à mão), e por que não tinha ido ao hospital, por que o bebê não tinha nascido ainda. Minha mãe disse que não estava sentindo as dores do parto, e que estava se sentindo bem.
Meus tios não se convenceram de que estava tudo bem, e levaram minha mãe ao pronto-socorro (naquela época, não havia hospital em Barrinha, como ainda não há). Quando o médico a examinou, recomendou que ela fosse levada imediatamente ao hospital, em Jaboticabal, pois já havia "passado da hora" do bebê nascer.
Chegando ao hospital, os médicos detectaram que a pressão arterial da minha mãe estava muito alta. Até então, ela não sabia que era hipertensa, e ainda não sabia sobre a doença de Chagas.
Seria necessário fazer uma cesárea, mas primeiro precisava abaixar a pressão.
Quando eles examinaram o estado do feto (eu), não conseguiram ouvir seus batimentos cardíacos, não percebiam seus movimentos, não notavam sinais de vida, e deram o bebê como morto. As palavras do médico para minha mãe foram "o seu neném está morto, agora eu vou tentar salvar a senhora."
Sim, ele disse "tentar".
O estado dela era muito grave, e o risco era muito alto. Quando a minha mãe me conta esta história, ela fala da dor que sentiu quando o médico disse que seu bebê estava morto. Fazia pouco tempo que meu irmão havia morrido, e a vida da minha mãe também estava em risco. Ela costuma brincar que, se tivesse morrido, iria chegar no Céu e perguntar para Jesus: "cadê o neném?", e Jesus iria dizer que o neném ficou.
Então ela foi levada à sala de cirurgia para passar por um procedimento de risco. A anestesia não fez efeito, e ela precisou ser sedada.
Como ela estava dormindo, não viu meu nascimento, não viu que o bebê dado como morto estava vivo, que era uma menina, e que a primeira pessoa da família que me pegou no colo foi minha prima Eiko, filha da tia Dinah.
Após longas horas, minha mãe acordou da sedação, e minha santa tia disse que sua criança era saudável, forte, cabeluda (e linda... depois de adulta ficou super modesta, mas não tinha como ninguém prever isso).
Acho que eu já tinha uns três meses nesta foto:
Quando Tia Dinah ligou para dar a notícia ao meu pai, ele e meu irmão foram "bebemorar". Os dois ficaram bêbados... Imaginem, nenhum dos dois gostava de bebida, e foram beber para celebrar meu nascimento. Devem ter ficado bêbados com um copo de cerveja...
Hoje, especialmente nesta data em que eu completo a metade da idade da minha mãe, eu agradeço a Deus por ter poupado a nossa vida, por ter nos salvo da morte naquele dia. É como se eu tivesse nascido duas vezes, é como se minha mãe tivesse nascido de novo.
Agradeço a Deus por ter enviado seus anjos, meu tio Joel e minha tia Dinah, que levaram minha mãe até o hospital, que cuidaram dela. Agradeço a Deus por sua presença em todos os momentos da nossa vida, nas nossas alegrias e tristezas. Agradeço a Deus por permitir que eu nascesse, por poupar a vida da minha mãe, me dar o meu pai, me dar uma família tão grande, tão amorosa e tão maravilhosa, e ainda me presentear com amigos maravilhosos.
Obrigada, Senhor, por todos os dias!
"Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.
Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido* nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.
E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles!" (Salmo 139: 13-17)
*Eu amo pensar na ternura com que Deus entretece o bebê no ventre da mãe, formando suas mãozinhas, seus pezinhos, seu rostinho...
domingo, 18 de setembro de 2016
Cadê a empatia?
Hoje, o olhar é para a empatia, ou melhor, para a falta dela, e nasceu de uma conversa com a amiga Vanessa.
Falávamos sobre o falecimento do ator Domingos Montagner, quando Vanessa me disse que estava indignada com uma piada que tinha recebido no celular, e que eu também tinha recebido. Nós recebemos esta piada de várias pessoas diferentes, várias vezes... esta e outras piadas.
Além de piadas, os perfis da atriz Camila Pitanga nas redes sociais estão sendo invadidos por "haters", termo usado na internet para designar aqueles que atacam virtualmente outras pessoas, fazem comentários cheios de ódio, incitam a violência; estes "haters", como disse, estão destilando teorias sobre a "culpa" que a atriz teria na morte do amigo. Não vou falar sobre o conteúdo das piadinhas e das "teorias de culpa" repetidas por internautas idiotas.
Outra coisa tão absurda quanto as teorias e as piadinhas são as postagens de pessoas que se dizem religiosas, dando conta de que a morte do ator teria sido provocada pelo teor de religiosidade (ou espiritualidade) abordado na novela, quando os índios resgataram o personagem Santo, que havia sofrido um atentado, e fizeram rituais para que ele voltasse à vida.
A propósito, os índios fizeram uma linda homenagem ao ator, a qual foi duramente criticada por uma grande parte de pessoas que se dizem religiosas. A homenagem, que me fez chorar, é a seguinte:
"Por que estão querendo trazer a alma dele de volta? Ele nasceu de novo hoje e se tornou um novo protetor do Rio São Francisco, que estava tão esquecido. Esse rio não pode morrer. A novela contou todos os mistérios do rio e esse foi mais um deles. Ele se tornou um ser de luz, porque a água não tira vida e sim dá a vida. Fiquem felizes pela alma dele, pois quando ele entrou no rio, se despediu do corpo e alma. Nasceu em um mundo melhor. Algum dia, os brancos vão entender isso. Ele está bem e, agora, é um protetor do Rio São Francisco."
Eu vi um vídeo no Youtube (não vou colocar o link, porque não quero fazer propaganda do vídeo), produzido por um pastor que nunca viu a novela, mas se deu ao trabalho de pesquisar o enredo para embasar suas teorias de "castigo"; até o fato de o personagem se chamar "Santo dos Anjos" foi criticado. O tal pastor também diz, a certa altura do vídeo, que não está querendo insinuar nada, mas... e diz uma frase que eu também me recuso a repetir. Além das teorias do pastor, os comentários dos internautas me deixaram muito assustada, porque revelam um nível extremo de falta de respeito, falta de empatia, intolerância religiosa e tudo o que há de mais horrível nos territórios virtuais (e reais).
Jesus disse a seguinte frase, registrada em Mateus 7:12: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas." Mesmo para quem não segue, não acredita em Jesus, esta é uma regra básica de convivência... seria maravilhoso se todo mundo pensasse assim, não? Pois foi exatamente isto que me deixou assutada: pessoas que dizem seguir a Cristo e acreditar em seus ensinamentos estão aí pela internet falando mal dos outros, semeando intrigas, plantando discórdia. Será tão difícil se colocar no lugar do outro? Será tão difícil pensar: "se fosse meu pai que tivesse morrido desta forma, eu faria piada?"; "se minha mãe tivesse sobrevivido a um acidente que matou seu amigo, eu iria dizer que ela foi culpada?"; "e se fosse eu no lugar da Camila, iria fazer piada de mim mesma?".
Este caso é um exemplo, somente um, da onda de maldade que está tomando conta do nosso mundo. O que podemos fazer para conter esta onda?
Falávamos sobre o falecimento do ator Domingos Montagner, quando Vanessa me disse que estava indignada com uma piada que tinha recebido no celular, e que eu também tinha recebido. Nós recebemos esta piada de várias pessoas diferentes, várias vezes... esta e outras piadas.
Além de piadas, os perfis da atriz Camila Pitanga nas redes sociais estão sendo invadidos por "haters", termo usado na internet para designar aqueles que atacam virtualmente outras pessoas, fazem comentários cheios de ódio, incitam a violência; estes "haters", como disse, estão destilando teorias sobre a "culpa" que a atriz teria na morte do amigo. Não vou falar sobre o conteúdo das piadinhas e das "teorias de culpa" repetidas por internautas idiotas.
Outra coisa tão absurda quanto as teorias e as piadinhas são as postagens de pessoas que se dizem religiosas, dando conta de que a morte do ator teria sido provocada pelo teor de religiosidade (ou espiritualidade) abordado na novela, quando os índios resgataram o personagem Santo, que havia sofrido um atentado, e fizeram rituais para que ele voltasse à vida.
A propósito, os índios fizeram uma linda homenagem ao ator, a qual foi duramente criticada por uma grande parte de pessoas que se dizem religiosas. A homenagem, que me fez chorar, é a seguinte:
"Por que estão querendo trazer a alma dele de volta? Ele nasceu de novo hoje e se tornou um novo protetor do Rio São Francisco, que estava tão esquecido. Esse rio não pode morrer. A novela contou todos os mistérios do rio e esse foi mais um deles. Ele se tornou um ser de luz, porque a água não tira vida e sim dá a vida. Fiquem felizes pela alma dele, pois quando ele entrou no rio, se despediu do corpo e alma. Nasceu em um mundo melhor. Algum dia, os brancos vão entender isso. Ele está bem e, agora, é um protetor do Rio São Francisco."
Eu vi um vídeo no Youtube (não vou colocar o link, porque não quero fazer propaganda do vídeo), produzido por um pastor que nunca viu a novela, mas se deu ao trabalho de pesquisar o enredo para embasar suas teorias de "castigo"; até o fato de o personagem se chamar "Santo dos Anjos" foi criticado. O tal pastor também diz, a certa altura do vídeo, que não está querendo insinuar nada, mas... e diz uma frase que eu também me recuso a repetir. Além das teorias do pastor, os comentários dos internautas me deixaram muito assustada, porque revelam um nível extremo de falta de respeito, falta de empatia, intolerância religiosa e tudo o que há de mais horrível nos territórios virtuais (e reais).
Jesus disse a seguinte frase, registrada em Mateus 7:12: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas." Mesmo para quem não segue, não acredita em Jesus, esta é uma regra básica de convivência... seria maravilhoso se todo mundo pensasse assim, não? Pois foi exatamente isto que me deixou assutada: pessoas que dizem seguir a Cristo e acreditar em seus ensinamentos estão aí pela internet falando mal dos outros, semeando intrigas, plantando discórdia. Será tão difícil se colocar no lugar do outro? Será tão difícil pensar: "se fosse meu pai que tivesse morrido desta forma, eu faria piada?"; "se minha mãe tivesse sobrevivido a um acidente que matou seu amigo, eu iria dizer que ela foi culpada?"; "e se fosse eu no lugar da Camila, iria fazer piada de mim mesma?".
Este caso é um exemplo, somente um, da onda de maldade que está tomando conta do nosso mundo. O que podemos fazer para conter esta onda?
sábado, 10 de setembro de 2016
As minhas cidades
Quando a Iara era criança, uma novela era embalada pela música O Bem do Mar, com a voz perfeita do Dorival Caymmi. Iara ficava cantarolando "um pescadô tem dois amô, um bem na terra, um bem no mar", ainda sem saber falar direito, e era tão lindinho...
https://www.youtube.com/watch?v=F1hA_ltXgZg
Outro dia, eu me lembrei desta música quando postei no Facebook que não moro em Barrinha há oito anos, mas minha família toda está lá, tenho amigos muito queridos, ainda voto lá. Senti que meu coração tem dois "amô": um bem em Barrinha e um bem em Brasília.
Barrinha é o lugar onde estão minhas raízes. Não nasci lá, assim como muitos barrinhenses; nós não temos hospital na cidade, tivemos somente por um breve período, então os moradores de Barrinha nascem em Jaboticabal (como eu), Sertãozinho ou Ribeirão Preto. Mas somos Barrinhenses!
Brasília é um lugar mágico, que sempre esteve na minha vida. Minha mãe morou aqui na década de 70 e, tendo ido para Barrinha, conheceu aquele que se tornaria o seu grande amor, meu papai. Eu cresci ouvindo as melhores histórias sobre esta cidade em que minha mãe tinha vivido. Quando eu tinha três anos, minha mãe viajou comigo para cá, ficamos quase um mês; apesar da minha pouca idade à época, consigo me lembrar de algumas cenas, tanto que, vinte e sete anos depois, quando cheguei e vi o lago Paranoá, tive aquela sensação incrível: "conheço este lugar, já passei por aqui".
Durante muito tempo, eu dizia que estava indo "para casa" quando viajava para Barrinha, porque ainda não me sentia pertencente a Brasília. Hoje, eu sinto que pertenço às duas. Brasília e Barrinha são "minha casa", e esta sensação de pertencer a duas casas, a duas cidades que se complementam no meu coração, é maravilhosa!
https://www.youtube.com/watch?v=F1hA_ltXgZg
Outro dia, eu me lembrei desta música quando postei no Facebook que não moro em Barrinha há oito anos, mas minha família toda está lá, tenho amigos muito queridos, ainda voto lá. Senti que meu coração tem dois "amô": um bem em Barrinha e um bem em Brasília.
Barrinha é o lugar onde estão minhas raízes. Não nasci lá, assim como muitos barrinhenses; nós não temos hospital na cidade, tivemos somente por um breve período, então os moradores de Barrinha nascem em Jaboticabal (como eu), Sertãozinho ou Ribeirão Preto. Mas somos Barrinhenses!
Brasília é um lugar mágico, que sempre esteve na minha vida. Minha mãe morou aqui na década de 70 e, tendo ido para Barrinha, conheceu aquele que se tornaria o seu grande amor, meu papai. Eu cresci ouvindo as melhores histórias sobre esta cidade em que minha mãe tinha vivido. Quando eu tinha três anos, minha mãe viajou comigo para cá, ficamos quase um mês; apesar da minha pouca idade à época, consigo me lembrar de algumas cenas, tanto que, vinte e sete anos depois, quando cheguei e vi o lago Paranoá, tive aquela sensação incrível: "conheço este lugar, já passei por aqui".
Durante muito tempo, eu dizia que estava indo "para casa" quando viajava para Barrinha, porque ainda não me sentia pertencente a Brasília. Hoje, eu sinto que pertenço às duas. Brasília e Barrinha são "minha casa", e esta sensação de pertencer a duas casas, a duas cidades que se complementam no meu coração, é maravilhosa!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
A nossa princesinha
Hoje, o dia amanheceu mais cor-de-rosa.
Minha querida sobrinha Andressa está esperando um bebê, e hoje ela viu sua filhinha pela ultrassonografia. É uma menina, uma princesinha, como ela me disse. Quando li a mensagem com a notícia, fiquei emocionada e chorei... lenços a postos para o dia em que ela nascer!
O nascimento da pequena será em junho, ainda faltam quatro longos meses para conhecermos o rostinho dela, mas eu tenho certeza de que ela será tão linda quanto a mamãe.
Apesar da nossa pouca diferença de idade, me lembro muito bem de quando Andressa era um bebezinho. Eu pensava que ela era minha bonequinha; uma linda bonequinha com boquinha de coração. Depois vieram a Andréia e a Franciele, suas irmãs, e eu fiquei com três lindas bonequinhas. Agora, é a primeira delas que está preparando uma princesinha para tornar a nossa vida ainda mais linda; uma bisnetinha para minha mãe, que passará a ter um casal de bisnetos.
E agora, quero escrever a primeira carta para esta criança que já mora no meu coração:
Minha amada princesinha, ainda não sabemos o seu nome, mas já sabemos como você toca o nosso coração. A titia-avó, que já faz questão de ser sua vovó Lê, ama você e deseja que você seja muito abençoada. Que Deus esteja sempre presente em sua vida.
Hoje você recebeu visitas de pessoas que também te amam muito: minha filha Iara, meu netinho João Miguel (que são seus primos), e minha mãe Maria, que é sua bisavó. Que imagem mais linda, sua mamãe com a sua bisavó, sua prima e seu priminho.
Nestes meses em que você ainda precisa morar nesta sua casinha, que é o ventre da mamãe, receba todo o amor que nós sentimos por você, e se divirta com a expectativa que nós temos pelo seu nascimento (fiquei sabendo que, assim como eu, a tia Andréia e a tia Fran não estão conseguindo esperar o dia de ver seu rostinho); chute bastante a barriga da mamãe, para que ela guarde no coração todos os momentos desta fase iluminada que é a gestação; sinta todo o carinho da família e dos amigos, sempre que alguém tocar a barriga e ficar esperando você se mexer.
E, tenha certeza, quando você nascer, e a mamãe ouvir seu chorinho, esta será a mais bela música que ela terá ouvido.
Minha querida, que você venha com muita saúde, e que seja uma grande alegria na vida do seu papai Fúlvio e da sua mamãe Andressa.
Que você seja muito abençoada por Deus. E eu agradeço a Ele por tão grande bênção, e por este tão grande amor, que transborda o meu coração.
Minha querida sobrinha Andressa está esperando um bebê, e hoje ela viu sua filhinha pela ultrassonografia. É uma menina, uma princesinha, como ela me disse. Quando li a mensagem com a notícia, fiquei emocionada e chorei... lenços a postos para o dia em que ela nascer!
O nascimento da pequena será em junho, ainda faltam quatro longos meses para conhecermos o rostinho dela, mas eu tenho certeza de que ela será tão linda quanto a mamãe.
Apesar da nossa pouca diferença de idade, me lembro muito bem de quando Andressa era um bebezinho. Eu pensava que ela era minha bonequinha; uma linda bonequinha com boquinha de coração. Depois vieram a Andréia e a Franciele, suas irmãs, e eu fiquei com três lindas bonequinhas. Agora, é a primeira delas que está preparando uma princesinha para tornar a nossa vida ainda mais linda; uma bisnetinha para minha mãe, que passará a ter um casal de bisnetos.
E agora, quero escrever a primeira carta para esta criança que já mora no meu coração:
Minha amada princesinha, ainda não sabemos o seu nome, mas já sabemos como você toca o nosso coração. A titia-avó, que já faz questão de ser sua vovó Lê, ama você e deseja que você seja muito abençoada. Que Deus esteja sempre presente em sua vida.
Hoje você recebeu visitas de pessoas que também te amam muito: minha filha Iara, meu netinho João Miguel (que são seus primos), e minha mãe Maria, que é sua bisavó. Que imagem mais linda, sua mamãe com a sua bisavó, sua prima e seu priminho.
Nestes meses em que você ainda precisa morar nesta sua casinha, que é o ventre da mamãe, receba todo o amor que nós sentimos por você, e se divirta com a expectativa que nós temos pelo seu nascimento (fiquei sabendo que, assim como eu, a tia Andréia e a tia Fran não estão conseguindo esperar o dia de ver seu rostinho); chute bastante a barriga da mamãe, para que ela guarde no coração todos os momentos desta fase iluminada que é a gestação; sinta todo o carinho da família e dos amigos, sempre que alguém tocar a barriga e ficar esperando você se mexer.
E, tenha certeza, quando você nascer, e a mamãe ouvir seu chorinho, esta será a mais bela música que ela terá ouvido.
Minha querida, que você venha com muita saúde, e que seja uma grande alegria na vida do seu papai Fúlvio e da sua mamãe Andressa.
Que você seja muito abençoada por Deus. E eu agradeço a Ele por tão grande bênção, e por este tão grande amor, que transborda o meu coração.
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